Coletânia

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Mil Vidas

para Cintia Miguel

Espero que tenha apreciado a vista.
Que tenha cheirado as rosas,
Molhado os pés no mar,
Escrito um livro.
Se pisou mais na pedra do que na grama,
É porque o homem vê o impossível no belo.
Se dançou quando choveu onde tinha sol
E quando fez sol onde chovia,
Com certeza foi com graça e sabedoria.
Mas não, sua história não chegou ao fim
Se não há fins, só meios e começos.
O belo legado que deixou te ecoará ano após ano
Até que a vida nos una como sempre.
Eu sei que você olhou para aquele coração penoso
Com ternura, com carinho, compaixão.
E se ele não devolveu o que tu emprestou
Foi por descuido, desalento, desatenção.
Coração que não é pregado
É parafuso que não é parafusado.
Mas vá, linda borboleta de tantas cores,
Voe alto e nunca mais se esqueça
Do cheiro de bebê que acabou de nascer
E de relva molhada ao amanhecer.
Porque se mil vidas antes foi preciso
Para ser o que for e o que será,
Mais mil após e outras mil depois
Serão como um dia atrás do outro

Entre o Outono e o Verão.

Um comentário:

  1. Dedicado a uma excelente amiga. Quem sabe não nos vemos de novo.

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