Coletânia

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Uma Jornada nas Estrelas Qualquer

Nenhum lugar é meu
Sou de lugar nenhum
Não pertenço aqui ou acolá
Não encontrei ainda o quebra-cabeças
Onde minha peça se encaixa
Então saio, corro, fujo...
Viajo para além-mar para me achar
Mas a Terra é lotada de almas...
Almas que só pedem socorro em línguas dissonantes.
Resolvo ir ali, ali na Lua, ali perto.
A jóia dos amantes e dos lobos
Que no fim dá no mesmo.
É silenciosa, serena, vazia...
Mas a palidez sepulcral de sua paisagem
Me deixa com uma tristeza silenciosa, serena e vazia
Vou para Vênus ver de onde as mulheres vieram.
Não encontro mulheres lá.
Seu horizonte é grosseiro e irregular,
E não delicado e harmonioso.
Seu cheiro é tóxico e venenoso,
Quando deveria ser como de rosas ao amanhecer.
A terra que se pisa é rala e áspera,
Quando deveria ser firme e quente
Para abrigá-lo depois do dia duro
E gerar vida nos dias vindouros.
Por que falam que as mulheres vêm daqui?
Vou para Marte, talvez eu seja um homem verde.
Apesar de ser pintado da cor quente de um raro rubi
Seu cenário e frio e vermelho.
Suas montanhas são frias e vermelhas.
Seus desertos são frios e vermelhos.
Se houvessem cidades aqui,
Elas também seriam frias e vermelhas.
Não há gente aqui.
Verde, cinza, amarela... ou vermelha
Minha teoria é que todos fugiram.
Fugiram para aquele planeta logo ali.
Lá  onde tudo é azul e quente.
Milhões de almas pedindo socorro...
Resolvo ir para Júpiter.
Seria ele o Rei dos Planetas?
Se for, fez o que um Rei faz.
Abdica da sua vida para outros terem vida.
Vida que segue, tento seguir a minha.
Chego a Saturno para ver seus maravilhosos anéis.
São tantos que nem quero contar.
Deve ser aqui que vem parar
Todos os anéis que se perdem na Terra.
Não vejo outra função mais nobre e bela do que esta.
Por Urano eu apenas passo.
O nome e a paisagem não me agradam.
Mal paro em Netuno  e vejo que estou com pressa.
Fico imaginando se há mares e oceanos
Como seu título sugere.
Sem quase perceber estou em Plutão
O que agora é conhecido como planeta anão.
Aqui faz frio no céu e no chão,
É tão longe que ninguém vem aqui não.
Lá no espaço sideral, lá no fundão,
Luz do Sol não chega para acender um fogão.
As pessoas la´na Terra vivem temendo uma invasão,
Mas com frio e fome sequer se faz uma revolução.
Dou a volta para voltar de onde vim.
Não sei dizer se foi o silêncio negro do vácuo
Ou se foi o ensurdecedor pulsar das estrelas,
Mas me distraio e tropeço
Em um buraco, negro como o espelho da alma.
E caio em um infinito inacabado sem fim
Um infinito que começa e termina em mim
Aqui eu pertenço e sinto.
Aqui eu penso e paro, volto e vou.
Aqui há um espaço ainda inexplorado.
Se o universo é tão imenso quanto a alma pode ser,
A fronteira final está a um pulsar do centro do peito.
Hei de atravesa-lá e aventurar-me em seus confins sem fins.
A grande jornada é a que ainda está por vir.

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