Coletânia

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Ideologia Cega

Vejo tudo ruim agora.
Minha visão embaçou em meio a poluição e gases com lágrimas.
Via tudo claro mesmo no escuro.
Agora tateio entre sombras  sob o Sol alpino.
No entanto eu vejo:
Vejo corações se desencontrando tal qual o meu,
Laços sendo cortados sem querer se remendar,
Fogo-amigo atingindo o inimigo que foi amigo,
A alma, um lago de esperança e amor,
Secando frente a uma aridez de ódio e rancor.
Vejo mentes sapientes levantando muros
Depois de serem surrupiadas de seus sonhos
Por mentes vazias de inspiração.
Sobraram os muros...
Vejo tudo ruim agora isso que está aí.
Mas isso que está aí sempre esteve e não quer ir.
Tem quem não via...
Se via, via o que queria.
A cegueira seletiva é tão ruim quanto a fé cega.
Um alento triste ver que todos veem mal,
Veem mal uns aos outros...
Vou ver tudo ruim pelo resto dos meus dias.
Outros querem ver tudo ruim pelo resto dos dias.
A ideologia cega que escolheram para viver.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

O Futuro Que Está Por Vir

Tenho pensado no futuro
E em tudo que está por vir.
No medo que está nos corações dos homens
E nos nossos amores que estão por aí.
Será que tudo que eles querem é dor e confusão,
Fazendo da nossa desesperança seu bastão?
Não quero viver com tacanha visão
E nem que ninguém seja privado de sua missão.
Se as escolhas que fazemos define quem somos,
Escolhendo errado, errados somos?
Não estamos presos dentro de muros e grades,
Mas sim em um passado de mitos e alardes,
Sem perceber que o futuro não avança atolado em estrume
De mentes vazias viciadas em um entorpecente embuste.
O futuro que está por vir nunca foi e nunca será
Enquanto tivermos medo de aprender quem somos,
Para onde vamos, o que seremos...
Repetentes das nossas histórias de vida ficaremos,
Eternas crianças de pais sem mães.
E sem mães.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Uma Jornada nas Estrelas Qualquer

Nenhum lugar é meu
Sou de lugar nenhum
Não pertenço aqui ou acolá
Não encontrei ainda o quebra-cabeças
Onde minha peça se encaixa
Então saio, corro, fujo...
Viajo para além-mar para me achar
Mas a Terra é lotada de almas...
Almas que só pedem socorro em línguas dissonantes.
Resolvo ir ali, ali na Lua, ali perto.
A jóia dos amantes e dos lobos
Que no fim dá no mesmo.
É silenciosa, serena, vazia...
Mas a palidez sepulcral de sua paisagem
Me deixa com uma tristeza silenciosa, serena e vazia
Vou para Vênus ver de onde as mulheres vieram.
Não encontro mulheres lá.
Seu horizonte é grosseiro e irregular,
E não delicado e harmonioso.
Seu cheiro é tóxico e venenoso,
Quando deveria ser como de rosas ao amanhecer.
A terra que se pisa é rala e áspera,
Quando deveria ser firme e quente
Para abrigá-lo depois do dia duro
E gerar vida nos dias vindouros.
Por que falam que as mulheres vêm daqui?
Vou para Marte, talvez eu seja um homem verde.
Apesar de ser pintado da cor quente de um raro rubi
Seu cenário e frio e vermelho.
Suas montanhas são frias e vermelhas.
Seus desertos são frios e vermelhos.
Se houvessem cidades aqui,
Elas também seriam frias e vermelhas.
Não há gente aqui.
Verde, cinza, amarela... ou vermelha
Minha teoria é que todos fugiram.
Fugiram para aquele planeta logo ali.
Lá  onde tudo é azul e quente.
Milhões de almas pedindo socorro...
Resolvo ir para Júpiter.
Seria ele o Rei dos Planetas?
Se for, fez o que um Rei faz.
Abdica da sua vida para outros terem vida.
Vida que segue, tento seguir a minha.
Chego a Saturno para ver seus maravilhosos anéis.
São tantos que nem quero contar.
Deve ser aqui que vem parar
Todos os anéis que se perdem na Terra.
Não vejo outra função mais nobre e bela do que esta.
Por Urano eu apenas passo.
O nome e a paisagem não me agradam.
Mal paro em Netuno  e vejo que estou com pressa.
Fico imaginando se há mares e oceanos
Como seu título sugere.
Sem quase perceber estou em Plutão
O que agora é conhecido como planeta anão.
Aqui faz frio no céu e no chão,
É tão longe que ninguém vem aqui não.
Lá no espaço sideral, lá no fundão,
Luz do Sol não chega para acender um fogão.
As pessoas la´na Terra vivem temendo uma invasão,
Mas com frio e fome sequer se faz uma revolução.
Dou a volta para voltar de onde vim.
Não sei dizer se foi o silêncio negro do vácuo
Ou se foi o ensurdecedor pulsar das estrelas,
Mas me distraio e tropeço
Em um buraco, negro como o espelho da alma.
E caio em um infinito inacabado sem fim
Um infinito que começa e termina em mim
Aqui eu pertenço e sinto.
Aqui eu penso e paro, volto e vou.
Aqui há um espaço ainda inexplorado.
Se o universo é tão imenso quanto a alma pode ser,
A fronteira final está a um pulsar do centro do peito.
Hei de atravesa-lá e aventurar-me em seus confins sem fins.
A grande jornada é a que ainda está por vir.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Poesia Perdida

E quando o palhaço perde a graça?
O casal de alquimistas perde a química?
O assassino serial perde a vítima?
A morte perde a vida?

Cometa sem rumo
Ligações cortadas
O concebível inconcebível
E a poesia perdida

Seria mais fácil deixar tudo pra depois
Viveria a vida como ela é
Amaria sem amor com perdão e dor
Um entre milhões de bilhões.

Mas os detalhes estão nos detalhes
O medo está no coração e de lá não sai
Os dias passam, as noites eu esqueço
E é melhor sonhar do que nunca ter sonhado

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O Solitário Sonhador 3

E se, 
E se somente se ele sonhasse
Que a chuva cairia naquele dia 
E não no outro dia.
Que o sol abriria as portas em um domingo perfeito 
Ao invés de uma terça imperfeita.
Será que ele seguiria o caminho do trovador
Ao invés da sina do bajulador com sede e dor?
Será que ele encontraria em seu castelo seu amor eterno,
E não o sofrimento eterno nos golpes do próprio martelo?
Se sonhar é viver, então ele viveu.
Viveu infinitas crises de infinitas impossibilidades, Incongruências, irrealidades...
Viveu o que sonhou e o que não sonhou.
Mas não vive o que sonha e o que não sonha.
A chuva vem molhar o que o sol secou,
A estação que passa é a mesma do inverno passado, 
E ele continua sonhando...
Sonhado com infinitas possibilidades, congruências, realidades, 
Esperando viver os sonhos que sonhara todos de uma vez
De uma vez por todas.
E ele continuará sonhando
Esperando que seu sonho torne seu sonho.
Ao menos uma vez, uma última vez.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Mil Vidas

para Cintia Miguel

Espero que tenha apreciado a vista.
Que tenha cheirado as rosas,
Molhado os pés no mar,
Escrito um livro.
Se pisou mais na pedra do que na grama,
É porque o homem vê o impossível no belo.
Se dançou quando choveu onde tinha sol
E quando fez sol onde chovia,
Com certeza foi com graça e sabedoria.
Mas não, sua história não chegou ao fim
Se não há fins, só meios e começos.
O belo legado que deixou te ecoará ano após ano
Até que a vida nos una como sempre.
Eu sei que você olhou para aquele coração penoso
Com ternura, com carinho, compaixão.
E se ele não devolveu o que tu emprestou
Foi por descuido, desalento, desatenção.
Coração que não é pregado
É parafuso que não é parafusado.
Mas vá, linda borboleta de tantas cores,
Voe alto e nunca mais se esqueça
Do cheiro de bebê que acabou de nascer
E de relva molhada ao amanhecer.
Porque se mil vidas antes foi preciso
Para ser o que for e o que será,
Mais mil após e outras mil depois
Serão como um dia atrás do outro

Entre o Outono e o Verão.